1 de Dezembro de 2010

olhando o mar, sem o ver


É tanto o tempo que passou, que nem o endereço é reconhecido no browser para autocomplete.
Acho que vou mudar o cabeçalho.

Tanta coisa aconteceu. A vida acontece, é isso. Sempre. Querendo ou não, que nisso a nossa vontade é mero espectador. Pode ser interveniente, se para isso tivermos a coragem de enfrentar o touro pelos cornos. E a mim... tantas vezes espero, desejo que o touro afinal não o seja, ou que se esqueça da sua brutal natureza e não (me) queira tourear.

A morte. A dele. Como se anuncia a morte aos nossos filhos?
Como se diz que a amiga, que às vezes, por engano chamam "mãe", como a mim por vezes chamavam "pai" depois de um fim-de-semana que não voltará a existir, como se diz o que já estão carecas de saber? Que as crianças não são estúpidas, pelo menos os meus não o são, e são claros os sinais, por mais escondidas que sejam as provas e evidências.
Como se aceita o alívio pela morte e ao mesmo tempo a dor pela perda que é tão deles? Eu aceito, simples. Estranha-se a ausência, chora-se por várias coisas ao mesmo tempo. Emoções em turbilhão, medo do touro, medo da responsabilidade, o mundo às costas. Pedir ajuda, aceitar que não se está só. Eu, individualista muitas vezes. Não por egoísmo, que não o sou, por hábito, por necessidade... sei lá..

Confuso... muita coisa aconteceu... acontece... todos os dias, e eu tentando dar um passo de cada vez, não querendo estar sozinha... isolando-me demasiadas vezes, eu sei.

Preciso voltar, sinto.
Mas não sei bem como.

2 comentários:

Cátia disse...

Minha querida,
Muitas foram as vezes que vim aqui na esperança de que estivesses voltado. Sabia que um dia havia de ser verdade... e aqui está o post!

O tempo vai passando e muitas muitas coisas vao acontecendo... à nossa volta e em nós... Mas sabemos que, de uma forma egoista ou por pura sobrevivência, havemos de ter um jogo de cintura que nos ajudará a enfrentar passo a passo todo o caminho.


Espero que sim, que voltes... Estaremos por aqui, contigo.
Beijinho grande
CA

cegonhagarajau disse...

Que saudades te te ver aqui!
Não precisas de te isolar, penso que sabes que, quer através do desabafo anónimo, quer através da partilha pessoal, há pessoas com as quais podes contar.
Aqui estamos para te ler, te ouvir e te ajudar se tal necessitares.
Um abraço ilhéu de n@s para ti.

Pelo sonho, ambição ou loucura, à descoberta de novas terras, achamento de antigas praias e as banalidades do costume.